Rancho Carnarvalesco Rouxinóes.
Pessoal, apenas pra não encerrar o ano devendo uma satisfação ao primo Rafael, filho da Lúcia Helena e neto do tio Licinho, estou postando aqui, sem revisão, sem diagramação, mas comprometendo-me a fazer isso assim que possível um pouco da história do Rancho Rouxinóes, criado pelo meu avô Francisco Altomar, seu sogro Dâmaso Machado do Rocha, seus cunhados José Júlio da Rocha e Miguel Crocco e mais um grupo de amigos.
Quis enviar antes do Natal como um presente do Papai Noel mas como não estou em Juiz de Fora e boa parte do acervo ficou lá, vali-me do que tenho arquivado em HD.
Mas tenho certeza de que vão apreciar e ficar com vontade de saber ainda mais.
Então, divirtam-se e apreciem a história!
Curitiba, 29 de dezembro de 2022
22:06h.
18 de
janeiro de 1926 –
Francisco
Altomar , Dâmaso Machado da Rocha, Antônio Costa, José Júlio da Rocha,
Francisco Cesário, dentre outros, reunem-se na oficina de sapateiro de Miguel
Crocco, na Rua de Santa Rita, 512, em Juiz de Fora (MG),para discutirem
assuntos referentes a fundação do Rancho Carnavalesco “Rouxinóes”.
(Parte da Diretoria fundadora do Rancho Carnavalesco Rouxinóes - José Júlio da Rocha - Dindinho (irmão de Adelaide Altomar), Francisco Cesário - Tio Chico ( cunhado de Francisco Altomar) e Franciso Altomar, patriarca da família Altomar, a nossa família)
As cores,
roxo e amarelo, iriam representar o Rancho durante os folguedos de Momo. Uma diretoria
foi composta e era hora de colocar mãos à obra para que no prazo previsto para o desfile, tudo estivesse a contento e
não se poderia perder tempo pois fevereiro já batia à porta. Providências
deveriam ser tomadas. A primeira delas era contar com os simpatizantes e
recolher deles contribuições que seriam angariadas mediante a assinatura no
Livro de Ouro e também, criar um corpo
de associados que com suas participações mensais formariam o montante
necessário para que o o Rancho pudesse adquirir
material e confeccionasse as fantasias, estandartes e carros alegóricos
que iriam abrilhantar o desfile .

As famílias dos diretores e associados participavam
e colaboravam da melhor maneira possível na tarefa de ajuda no barracão. Os
sapateiros Francisco Altomar e Miguel Crocco confeccionavam os calçados
enquanto suas esposas Adelaide da Rocha Altomar e Aurélia Altomar Crocco (fotos) , junto a
outras senhoras e senhoritas ajudavam , costurando e bordando as fantasias e estandartes que por sua vez eram
idealizadas pelo artista plástico José Júlio da Rocha (foto), irmão de
Adelaide. A montagem dos carros alegóricos, estandartes, torre de iluminação
e pirografia ficava a cargo do pai de Adelaide, Sr. Dâmaso Machado da Rocha e
que podia ser chamado de “Sr. Faz Tudo” pois além da profissão de serralheiro
entendia e exercia muito bem outras tantas habilidades profissionais e
artísticas. Contava com a ajuda prestimosa de um grupo de amigos e colaboradores
anônimos para deixar a estrutura alegórica pronta para receber a cobertura em
“papier-machê” e outras técnicas que seu filho José Júlio da Rocha dominava muito bem e executava com maestria
fazendo tudo com muito carinho e capricho. Contava também com o apoio de alguns
artistas plásticos que com suas palhetas em punho, ajudavam a dar cor e brilho
aos carros.
Neste ano
da fundação o Rancho sairia às ruas com um número considerável de participantes
para fazer a sua apresentação e dizer ao povo que a partir daquela data,
marcaria presença nos folguedos carnavalescos e viria com muita garra e
determinação brindar o público com arte e alegria além de tentar com sua
vibração, conseguir a vitória nos desfiles. Para dar
o toque final e imprescindível ao desfile, a música tinha que estar muito em
concordância com o enredo escolhido e aí entrava a louvável participação de
Antonio Costa, genro do Sr. Damaso, que morava no Rio de Janeiro mas, sempre,
às vésperas do carnaval vinha para Juiz de Fora para servir ao seu Rancho do
coração. Homem letrado e ligado à musica principalmente por ser amigo de
grandes nomes do cancioneiro popular da década de 20 , compunha a marcha
principal para o desfile e usava o codinome de “Conde D’Is”. Outras melodias eram entoadas durante o
trajeto do desfile e Adelaide Altomar também dava o seu toque de compositora e
compunha e musicava versos que os componentes entoavam com muito entusiasmo.
“Rouxinóes” ganhou a simpatia da cidade e consequentemente, mais
adeptos. O
entusiasmo cresceu e o trabalho de arrecadação de verbas recomeçou para que o próximo carnaval fosse um sucesso! O primeiro passo foi a promoção de “Chás
Dançantes”,
E torneios
Esportivos entre as agremiações co-irmãs. A venda
de convites para os Chás e as inscrições
para o Torneio foram engrossando os cofres Rouxinolinos e neste ano o
Livro de Ouro obteve uma ajuda considerável e nomes do comércio, indústria e
sociedade de Juiz de Fora marcaram
presença com suas assinaturas .
Chega o
ano de 1927!
Marcha e
hinos compostos e na ponta da língua!. Músicos muito bem ensaiados – dentre
muitos, alguns militares das Bandas do 2o. Batalhão de Polícia
Militar e do 10o. BI. O corpo de bailado com coreografia treinada e
Francisco Altomar assume o posto de
baliza da Porta Estandarte, missão que executa com maestria e elegância. Carros
alegóricos prontos. Todos a postos, só
falta acender os fogos de artifícios e fazer soar os clarins para saudar o
público e anunciar que passará em desfile toda a alegria, emoção e encantamento
dos corações roxo e amarelo. Aplausos,
elogios e lá se vai o préstito pelas ruas Halfeld, Av. Rio Branco, Marechal
Deodoro, Batista de Oliveira, enchendo o ar de melodia e realização do sonho de
todos que batalharam para o sucesso do desfile.
Ano de
1928 e o “Rouxinóes” traz para as ruas uma comitiva de astros celestes para
brincar o carnaval.
Durante os três dias de folguedo, várias
canções são entoadas pelos participantes da agremiação contagiando seus
admiradores e seguidores. A canção “Rouxinóes” que vem à frente saudando o
público é de autoria de Lord Flumen (letra) e Lord Eufranio (música).
O desfile acontece como sempre, com sucesso e
em meio ao aplauso do público que vibra com o baliza Francisco Altomar que
tendo nas mãos um leque, faz uma linda coreografia prestigiando a Porta
Estandarte que conduz com garbo , elegância e graça o pavilhão do Rancho.
Mais um carnaval termina e a rotina
profissional e doméstica toma conta dos foliões e cada um segue o seu rumo
durante o ano em curso, cuidando de seus afazeres até que Momo bata novamente à porta! Mas, enquanto isso, é preciso continuar o
trabalho de arrecadação de verbas para o próximo ano e aí, recomeçam os
chás-dançantes. O convite conclama a sociedade !
1929 –
Ano de vitória!
“Rouxinóes”
é o grande campeão do desfile de Ranchos !
Entusiasmados
os foliões comemoram e os jornais noticiam.
Em 1930 e
o grande poeta Olavo Bilac é o homenageado.
De suas
obras, a “Tríade – Panóplias, Sarças de Fogo e Via Láctea” foi escolhida.
Conde
D´Is foi o autor da letra e melodia a ser entoada pelos foliões. E na fantasia do enredo estarão os Fardões da
Academia Brasileira de Letras vestindo os arautos montados em garbosos cavalos
e tocando os clarins para abrir passagem ao préstito Rouxinolino.
1932
1935
Diretoria dos Rouxinós em 1935
1936
Em novembro
de 2009, consegui contato com o Sr.José de Souza quqe foi o último presidente
dos Rouxinóes já no começo de 1970. Sob seu comando o Rancho ainda se
apresentou pela avenida Rio Branco e eu me lembro de te-lo assistido. Quando da
visita à sua casa sr.José me brindou com os guardados do Rancho e entre eles,
estandartes, faixas (produzidos pelo Dindinho - José Júlio da Rocha, todos com a sua assinatura), a fantasia usada por ele e o último livro de registro de
atas do Rancho. Generosamente me fez doação de todo esse material que se encontra devidamente embalado e guardado comigo, esperanco a oportunidade de montarmos uma exposição para honrar os artistas que fizeram brilhar os olhos e acelerar o coração dos Rouxinilinos durante os saudosos carnavais das décadas de 20,30,40,50,60 do século passado.
Inclusive me
entregou também uma fita K7 com a gravação da marcha-rancho em homenagem a
Getúlio Vargas.